Natalina Cordeiro

Obra:
Artista, parecia sentir que
não teria tempo para desenvolver o seu talento ou reunir em
volume as suas produções literárias, quando escreveu: “
Não é artista somente aquele que produz belas e admiráveis
páginas de arte, no verso, na prosa, no ritmo ou na tela; também
o é aquele que sabe compreendê-la e sentir, nas diversas
emotividades da alma”.
Num discurso, no fim da
primeira guerra mundial, disse ela, num arroubo de intensa
alegria, transmitida pela seleção lexical e, principalmente, por
um aporte fonético estilisticamente valoroso — o /a/ iluminando
o texto e o /p/ aplaudindo... :
“Sejamos pela paz!... Pela paz universal, pela paz das nações,
pela paz dos povos europeus, pela nossa paz, pela paz dos nossos
lares, porque, cada dia que fluir a paz, será para nós um dia de
júbilo, de risos e de festa...”
Não
publicou livros, porém, participou da vida intelectual paranaense
colaborando no Diário do Comércio, Cruzada, O Itiberê, periódicos
de Paranaguá, além do Diário da Tarde e Sonetos Paranaenses, de
Curitiba.
Natalina Cordeiro fala de coisas vividas e sentidas, em
verdadeira adesão ao habitat provincial, sua Paranaguá — ponto
de partida e de chegada de suas “viagens” — tomadas não em
perspectiva horizontal mas na vertical, a da espiritualidade. É
pensando desta forma, lendo seus textos levando em conta todas as
razões segregacionistas de isolamento e silêncio, que
encontraremos as melhores qualidades da escritora: poesia feita de
experiência real, de comoção verdadeira.
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